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Papa: não pode ser bom padre  sem um diálogo filial com o bispo
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Papa: não pode ser bom padre sem um diálogo filial com o bispo

Papa: não pode ser bom padre 

sem um diálogo filial com o bispo

Em conversa franca e aberta com os seminaristas de
 Agrigento, Sicília, o Papa Francisco falou sobre a 
importância do relacionamento do sacerdote com o bispo, 
de que "não se pode viver o sacerdócio sem uma missão", 
e alertou que "o clericalismo é a nossa pior perversão" 
e que "a fofoca, a tagarelice, é a peste do presbitério."

Cidade do Vaticano

Na manhã de sábado, 24, o Papa Francisco encontrou 40 seminaristas 

da Diocese de Agrigento, Sicília. Deixando de lado o discurso preparado previamente, o Papa Francisco preferiu falar de forma espontânea, 

segundo a inspiração do momento. Eis a íntegra de suas palavras:

“Há um discurso preparado, com o ícone dos discípulos de Emaús, que

 vocês podem ler em casa tranquilos e meditar em paz. Eu o entrego ao

 reitor. Eu me sentirei mais confortável falando um pouco espontaneamente.

Naquele discurso, a última palavra era a "missão". Gostei do que o Reitor

 disse sobre o horizonte da Albânia. Porque a missão, é verdade, é algo 

que o Espírito nos impele a sair, sair, sempre sair; mas se não há horizonte apostólico, há o perigo de errar e sair não para levar uma mensagem, mas para "passear", isto é, sair mal.

O diálogo com o bispo

 

Em vez de fazer um caminho de força, sair de si mesmo, está fazendo

 o labirinto, de onde não se consegue nunca encontrar um caminho, 

ou errar o caminho!

"Como posso ter certeza de que minha saída apostólica é aquela que o 

Senhor quer, aquela que o Senhor quer de mim, quer na formação 

como depois?" Existe o bispo! O bispo é aquele que em nome de Deus diz:

 "Este é o caminho". Você pode ir ao bispo e dizer: "Eu sinto isto", e ele

vai discernir se é isso ou não. Mas, definitivamente, quem dá a 

missão é o bispo.

Por que eu digo isso? Não se pode viver o sacerdócio sem uma missão

O bispo dá somente um encargo - "se ocupe desta paróquia", como o 

chefe de um banco dá tarefas aos empregados? não! O bispo dá uma missão: "Santifica aquelas pessoas, leva Cristo àquelas pessoas". É outro nível.

É por isso que é importante o diálogo com o bispo: aqui eu queria chegar

 ao diálogo com o bispo.

O bispo deve conhecer vocês assim como são: cada um tem a própria personalidade, a própria maneira de sentir, seu modo de pensar, suas

virtudes, seus defeitos ... O bispo é pai! É pai que ajuda a crescer, é 

 pai que prepara para a missão. E quanto mais o bispo conhece o sacerdote, 

tanto menor será o perigo de errar na missão que ele dará. Não pode 

ser um bom padre sem um diálogo filial com o bispo. Isso é algo não negociável, como agrada dizer a alguém. "Não, eu sou um empregado da 

Igreja". Você errou. Aqui há um bispo, não há uma assembleia onde se 

negocia o lugar.

Há um pai que faz a unidade: assim Jesus quis as coisas. Um pai que faz

 a unidade. É lindo quando Paulo escreve a Tito, a Tito que deixou em

 Creta, para "organizar" as coisas. E ele diz as virtudes dos presbíteros,

 do bispo e dos leigos, também dos diáconos. Mas deixa o bispo para 

organizar: organizar no Espírito, que não equivale a organizar no 

organograma. A Igreja não é um organograma. É verdade que às vezes

usamos um organograma para ser mais funcionais, mas a Igreja vai 

além do organograma, é outra coisa: é a vida, a vida "organizada" no

 Espírito Santo.

E quem está no lugar do pai? O bispo. Ele não é o dono da empresa, o 

bispo, não. Ele não é o patrão. Ele não é aquele que manda:

 "aqui mando eu", alguns obedecem, outros fingem obedecer e outros

 não fazem nada. Não, o bispo é o pai, é fecundo, é aquele quem gera

 a missão. Esta palavra missão, que eu quis pegar, é carregada, carregada

com a vontade de Jesus, é carregada com o Espírito Santo. Por isso, eu

 recomendo, do seminário aprendam a ver no bispo que foi colocado ali 

para ajudá-los a crescer, a ir em frente e para acompanhar vocês nos

 momentos de apostolado: nos bons momentos, nos momentos maus, mas acompanhar sempre; nos momentos de sucesso, nos momentos das 

derrotas que vocês sempre terão na vida, todos ... Isso é algo muito, 

muito importante.

Deixar-se formar

 

Outra coisa, é a do barro do oleiro. Gosto de pegar Jeremias. Ele diz: 

quando o vaso não está bom, o oleiro o faz de novo. Enquanto se está 

fazendo o vaso e há algo errado, há tempo para retomar tudo e recomeçar;

 mas uma vez cozido ... Por favor, deixem-se formar. Não são caprichos 

aquilo que pedem os formadores. Se vocês não estão de acordo, falem 

sobre isso. Mas sejam homens, e não crianças, homens, corajosos e 

digam ao reitor: "Eu não concordo com isso, não entendo isso.”

Isso é importante, para dizer o que você sente. Assim se pode 

formar sua personalidade, para ser verdadeiramente um vaso cheio de

 graça. Mas se você permanecer calado e não dialogar, não contar suas 

dificuldades, não contar suas ansiedades apostólicas e tudo aquilo que 

queres, um homem calado, uma vez "cozido", não se pode mudar. E toda

 a vida é assim. É verdade que às vezes não é agradável que o oleiro 

intervenha decisivamente, mas é para o seu próprio bem. Deixem-formar,

deixem-se formar. Antes de cozimento, porque assim vocês serão bravos.

Espiritualidade do clero diocesano

 

E depois, outras duas coisas. Qual é a espiritualidade do clero diocesano?

 Como dizia aquele padre aos religiosos: "Eu tenho a espiritualidade da 

congregação religiosa que fundou São Pedro". A espiritualidade do clero

 diocesano, qual é? É a diocesanidade.

A diocesanidade tem três endereços, três relações. O primeiro é a

 relação com o bispo, mas já falei bastante sobre isso. A primeira relação:

 não se pode ser um bom sacerdote diocesano sem a relação com o bispo. Segundo: a relação no presbitério. Amizade entre vocês. É verdade que 

não pode ser amigo íntimo de todos, porque não somos iguais, mas bons

 irmãos sim, que se querem bem.

E qual é o sinal de que em um presbitério há irmandade, há fraternidade?

 Qual é o sinal? Quando não há fofocas. A fofoca, a tagarelice, é a peste do presbitério. Se você tem algo contra ele, diga isso na sua cara. Diga de

 homem para homem! Mas não fale nas costas, isto não é de homem!

 Não digo como homem espiritual, não, não, simplesmente como homem.

Quando não há tagarelice em um presbitério, quando essa porta está 

fechada, o que acontece? Bem, há um pouco de barulho, nas reuniões 

se dizem as coisas na cara, “eu não concordo!", se levanta um pouco a

 voz ... Mas como irmãos! Em casa, nós irmãos brigávamos assim. Mas

 na verdade. E depois, cuidar dos irmãos, querer-se bem. "Sim, padre,

 mas o senhor sabe, esse outro me é antipático...". Mas eu também

tenho muitos que me são antipáticos e eu sou antipático para alguém, 

isso é uma coisa natural da vida, mas o nível de nossa consagração nos

 leva a outra coisa, a ser harmonioso, a estar em harmonia. Esta é uma 

graça que vocês devem pedir ao Espírito Santo.

Aquela frase de São Basílio - que alguns dizem não ser de São Basílio - no

 Tratado sobre o Espírito Santo: "Ipse harmonia est", Ele é harmonia. 

Parece um pouco estranho, o Espírito Santo, porque com os carismas

 - porque todos vocês são diferentes - ele, por assim dizer, cria uma 

desordem: todos diferentes. Mas depois tem o poder de fazer daquela 

desordem uma ordem mais rica, com tantos carismas diferentes que 

não anulam a personalidade de ninguém. O Espírito Santo é o que faz

 a unidade: a unidade no presbitério.

O relacionamento com o bispo, o relacionamento entre vocês. Sinal 

negativo: a fofoca. Nada de tagarelice. Sinal positivo: dizer as coisas 

claras, discutir, até mesmo irritar-se, mas isso é saudável, isso é dos 

homens. A fofoca é covarde.

O relacionamento com o bispo, a relação entre você e o terceiro: 

relacionamento com o povo de Deus. Nós somos chamados pelo Senhor para servir ao Senhor. Senhor no povo de Deus. Antes ainda, fomos 

tirados do povo de Deus! Isso ajuda muito! A memória, aquela de 

Amós, quando  diz: "Você é um profeta ...". - eu? Qual profeta? Eu

 fui tirado de trás do rebanho, eu era um pastor ... Cada um de nós

 foi tirado do povo de Deus, foi escolhido e não podemos esquecer de

 onde viemos.

Porque muitas vezes, quando nos esquecemos disso, caímos no 

clericalismo e esquecemos o povo do qual viemos. Por favor, não se 

esqueçam da mãe, do pai, da avó, do avô, do povoado, da pobreza, das

 dificuldades das famílias: não se esqueça deles! O Senhor tirou vocês dali, 

do povo de Deus, pois com isso, com esta memória, vocês saberão falar ao 

povo de Deus, como servir ao povo de Deus. O sacerdote que vem do povo

 e não se esquece de que é tirado do povo por Deus, da comunidade cristã,

 a serviço do povo. "Mas não, eu esqueci, agora me sinto um pouco superior

 a todos ...". clericalismo, caríssimos, é a nossa pior perversão.

 O Senhor quer vocês pastores, pastores do povo, não clérigos de Estado.

Esta é a espiritualidade [do sacerdote diocesano]: a relação com o bispo,

 a relação entre você e o contato, a relação com o povo de Deus na 

memória - de onde eu venho - e no serviço - para onde vou.

E como se faz crescer isso? Com a vida espiritual. Vocês têm um pai 

espiritual: abram seu coração ao pai espiritual. E ele vai  ensinar vocês 

como rezar, a oração; como amar Nossa Senhora ...: não se esqueçam 

disso, porque Ela está sempre próxima à vocação de cada um de vocês.

 A conversa com o pai espiritual. Que não é um inspetor da consciência, 

é alguém que, em nome do bispo, ajuda você a crescer. Vida espiritual.

Obrigado pela visita. Esqueci de trazer um livrinho que que queria dar 

para vocês, mas vou enviá-lo pelo bispo, para cada um de vocês. 

E rezem por mim e eu rezarei por vocês. Não se esqueçam disso: 

a espiritualidade do clero diocesano. Coragem

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